
Diretor de Inovação e Tecnologia — Fundação Lemann
Uma análise semanal sobre EdTechs que estou estudando. Atualmente a lista conta com 337 organizações.
Formado em Economia pela PUC-RJ, comecei a trabalhar com educação aos 18 anos, dando aula de matemática para jovens de comunidades próximas à minha universidade. Apaixonei-me pelo tema e após estagiar em outros fundos de investimento, encontrei o Gera, que à época era 100% focado em educação. Viria a tornar-me sócio do fundo.
Após a criação da Eleva Educação, assumi a direção de uma unidade escolar do grupo. Posteriormente toquei uma rede de escolas da Eleva. Foi cofundador e líder de estratégia do Patio, área de Novos Negócios da Eleva Educação (atualmente Grupo Salta).
Mas ainda queria entender mais o setor público. Portanto, trabalhei como Coordenador de Inovação e Tecnologia na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro onde liderei a criação dos Ginásios Experimentais Tecnológicos, da Olimpíada Carioca de Matemática e o desenvolvimento de softwares para acompanhamento da frequência, alocação de professores, gestão da infraestrutura, além das iniciativas de aumento da conectividade nas escolas da cidade.
Hoje em dia busco, por meio de metodologias de inovação, desenvolvimento de produto e do uso de tecnologia, escalar qualidade educacional para diferentes estados e municípios ao redor do país.
Mas por que eu comecei essa série? E por que a compartilho?
Inovação não se trata de inspiração mas sim de gestão de conhecimento associada a processos bem estruturados. Trabalhando na interseção entre educação, inovação, gestão e políticas públicas há mais de uma década, passei a valorizar muito o exercício de tentar prever os rumos que as tecnologias estão seguindo e ir ajustando minha visão de mundo a partir dos aprendizados que tenho com meus acertos e erros. É muito mais sobre disciplina do que sobre talento.
Além disso, as trocas com outras pessoas permitem internalizar conhecimentos, opiniões e conceitos aos quais não tenho acesso pelo simples fato de que eu sou apenas uma pessoa no mundo. Então as trocas com você que está por aqui são fundamentais! Inclusive, se quiser sugerir EdTechs a serem analisadas, clique aqui! E, caso faça uma postagem a partir de sua contribuição, sendo de seu interesse, posso te mencionar para construirmos juntos.
E como eu penso sobre esse tema?
A lógica que utilizo é a de verticais x tendências. Baseado no Framework do livro Crossing the Chasm (Atravessando o Abismo), defino como:
Vertical
EdTechs que fazem parte de uma categoria que já foi compreendida como relevante por ao menos uma maioria inicial (early majority), ou seja, já deixou de ser uma ideia para poucos.
Tendência
Aquelas que fazem parte de uma categoria que ainda não cruzou esse abismo.

Framework "Crossing the Chasm" — a fronteira entre early adopters e a maioria inicial
O cruzamento entre verticais e tendências nos permite vislumbrar para onde as soluções estão se encaminhando e, desta maneira, tomar decisões relevantes de desenvolvimento de produtos, investimento, políticas públicas ou implementação.
Exemplo prático: Alfabetização e o Uso de IA
Há um grande cruzamento entre a vertical "Alfabetização" e a tendência "Uso de IA". Ao investigar mais a fundo, podemos entender que Alfabetização é uma área onde há uma forte ciência demonstrando elementos práticos, bastante algorítmicos que podem se beneficiar do uso de Inteligência Artificial.
Além disso, mesmo para elementos mais complexos de letramento, feedbacks automatizados têm se demonstrado muito eficazes. Nos EUA, já há uma forte indústria nesse sentido, com empresas grandes incorporando esses elementos em suas soluções.
Mais recentemente, no Brasil com o reforço de algoritmos abertos de IA que podem ser replicados por diversas empresas e alguns governos incorporando em suas políticas públicas o uso de algoritmos de avaliação de fluência leitora, editais têm atraído empresas interessadas e que conseguem montar rapidamente produtos baseados em soluções abertas.
É importante que não se trata de substituir educadores (ou não deveria) e sim trazer mais dados para gestores tomarem decisões e para os professores poderem apoiar presencialmente seus alunos.
Nesse caso, claramente Alfabetização é uma vertical: um problema conhecido, muitas pessoas atuando e buscando soluções. O uso de IA tem ganho força rapidamente e, enquanto acredito que em breve deixará de ser uma tendência para que se torne uma parte de múltiplas soluções, hoje a enxergo neste lugar. Ao cruzarmos esses dois campos, podemos entender as histórias que estão fazendo com que tantas novas soluções estejam aparecendo e, a partir daí, inferir que decisões são mais acertadas e se e como a educação será modificada.
Como você pode usar esse conceito
Primeiro, é importante notar que não estou inventando a pólvora. É só uma ideia e está aí para ser utilizada e replicada. Mas é sempre de bom tom referenciar quem está construindo conceitos. Portanto, pode copiar e colar a tabela, fazer a sua própria para que possa estudar. Nesse caso, se for divulgar, se eu tiver inspirado de alguma maneira o que está fazendo, lembre-se de citar para que sigamos construindo juntos.
No mais, construa suas análises, forme suas visões e as compartilhe. É a única forma de irmos moldando o que queremos construir em educação e tecnologia, fugirmos de discursos rasos e aprendermos juntos.
Importante: a "EdTech da Semana" não busca endossar nenhum produto. Parto da lógica de que comunidades de aprendizagem devem entender o que se aplica melhor em seu contexto. Mas é importante saber que podemos e devemos nos nortear por princípios da ciência de aprendizagem e boas práticas de implementação.
1 Nem toda tendência, mesmo obtendo sucesso, vira uma vertical. Por vezes, são tecnologias transversais. Por exemplo: no passado, "soluções online" foram uma tendência. Hoje não formam uma vertical pois esperamos que boa parte das soluções estejam conectadas à internet.
2 O framework está sendo usado como uma analogia. Uso com algumas diferenças: por ex, o framework original trabalha com a lógica de casos específicos aplicados e não tecnologias gerais. Aqui, quando analiso tendências, por vezes estou olhando para temas como "uso de IA em educação".